muite imala mecuburi

Foi aqui, nesta cidade que tudo começou. Decorria o mês de Março de 1972 quando, no Regimento de Cavalaria 3, nasceu o Batalhão de Cavalaria 3888 do qual a Companhia de Cavalaria 3559 fazia parte. É dela que vamos falar.
Venham connosco...

LALAUA


 LALAUA, um pequeno aglomerado de casas, que ladeiam uma rua poeirenta e esburacada, na sua maioria ligadas ao comércio.
 Quase no fim dessa rua e à esquerda ficava o nosso aquartelamento, com uma entrada digna desse nome, pois era de facto bonita e digo quase, porque a seguir tínhamos a escola à direita e ao fundo de frente pra essa mesma estrada uma casa senhorial que era onde vivia o Administrador.
 As nossas instalações eram confortáveis e o aquartelamento estava bem dividido e com todos os requesitos necessários à missão a que se destinava. Falta referir que à volta o aldeamento era bastante povoado, com casas as afastadas umas das outras que lhe dava um ar de grandeza e privacidade.Para concluir a apresentação falta referir o principal ou seja a menina de todos quantos viviam em Lalaua, a nossa REPRESA, rodeada por montes verdejantes e uma flora linda de ver. As flores de manhã tinham uma cor e à tarde outra, (ver para crer), claro que ero o nosso retiro predileto e omde passávamos a maior parte do nosso tempo, a nadar, à pesca, deitados ao sol e principalmente a ler ou a escrever aos nossos familiares. Ao fim da tarde tinhamos a visita diária dos patos que vinham pernoitar e outras aves que nem o nome sei.
 Apresentada que está LALAUA, o resto é o nosso dia a dia de trabalho, que consistia no patrulhamento da região com apoio à população no que respeita a segurança e apoio médico, entre outros. Como tudo na vida, esta não era só trabalho e a nossa ocupação principal (para não dizer desporto)era a caça e não pensem que era a brincar, pois a fama que tinhamos na zona era tal, que o próprio comandante fazia questão de ir connosco.
 Ascaçadas eram feitas à noite e da equipa faziam parte três militares dois mainatos para limpar, cortar e carregar as peças de caça e o nosso batedor e atirador principal que era o professor da escola primária "O Baptista" que diga-se, tinha uma pontaria impressionante. A caça era apanhada no fox (feixe de luz) onde a única coisa que se viam eram os olhos a brilhar e o tiro era sempre na cabeça a distâncias de mais ou menos duzentos metros, de tal modo que quando os animais eram grandes (ex: as palancas que eram do tamanho de bois) muitas vezes as peças eram cortadas e aproveitadas só as pás, o resto a população encarregavã-se de distribuir por eles. A maior parte das peças eram veados, cabritos e porcos do mato (javalis). No regresso era a vez dos coelhos e eram os momentos mais bem passados, porque se no princípio da caçada nimguém podia falar nem fazer fogo agora toda a gente gritava e disparava, e havia momentos em que só não davam tiros nos pneus porque não calhava.
 Os coelhos vinham atrás da luz e conforme aproximávamos o fox eles vinham também, só faltava saltarem para cima da viatura.
 Foram os momentos mais bem passados em Lalaua.
 Não posso deixar de falar também das batucadas e dos rituais de danças que os indígenas faziam questão de mostrar, com os seus trajes coloridos e pinturas guerreiras cheias de história.
 Histórias, tinha muitas para contar, desde a população matar um hipopótamo com pedras epaus que depois eaquartejaram e comeram, até andar a apanhar galinhas com paus,assistir a tratamentos por curandeiros com ervas apanhadas no mato, comer os bolinhos fritos (quando regressávamos das caçadas) feitos numa fugueira na beira da estrada por aldeõas às duas e três da madrugada, para levarem para o mercado. Emprestar o meu relógio e o rádio ao meu mainato (como ele dizia: para ser gente grande) para ele ír para a loja engatar as miúdas, enfim muito havia para contar.
 Mas nem tudo foram rosas, já no matabicho, tivemos que fazer uma coluna para Mueda que sabe Deus como foi difícil, e o que sofremos.
 Um grande abraço em especial a todos os camaradas de combate que tiveram comigo em Lalaua e a todos os outros da companhia 3559, que como nós estiveram estiveram destacados em: Mecuburi, Muite e Imala.

Do sempre amigo e camarada
 Um grande abraço
 Américo A. P. Barbosa

Actualizado em 15 de Janeiro de 2018 ✉ ccav3559@hotmail.com