muite imala lalaua

Foi aqui, nesta cidade que tudo começou. Decorria o mês de Março de 1972 quando, no Regimento de Cavalaria 3, nasceu o Batalhão de Cavalaria 3888 do qual a Companhia de Cavalaria 3559 fazia parte. É dela que vamos falar.
Venham connosco...

MECUBURI

Oano do descanso da C. CAV. 3559


 Chegados a Nampula, no dia 6 de Novembro, os elementos que ficaram em Antadora para a orientação da companhia checa, rumaram a Mecuburi onde já se encontrav toda a companhia que rendeu a C. CAÇ. 3393.
 Entretanto antes, a 26 de Outubro a companhia receba o cap. mil. José Martins de Carvalho que foi sbstituir, o cap. mil. Alexandre Luis Antunes Ribeiro que tinha deixado a companhia.
 Mecuburi fica a cerca de 80Km. de Nampula, era na altura posto administrativo, composto por uma só rua com habitações, poucas, dum lado e do outro, tinha a rodeá-la vários aldeamentos. Para além do aquartelamento tinha um posto de saúde, 3 estabelecimentos que eram ao mesmo tempo loja para venda de géneros alimentícios e café onde de podia também comer. Era aí que nós passávamos a maior parte do tempo ora a beber ou a fezer grandes petisqueiras e também a jogar aosmatreco ou cartas, tudo isto quando não estávamos de serviço.
 A pós a chegada e passado alguns dias, a companhia foi dividida por três destacamentos - Muite, Lalaua e Imala, indo um pelotão para cada um deles e ficando um em Mecuburi.
 Assím ía passando o tempo, entre serviços e petiscos, pois aqui ou nos destacamentos não havia mais nada para fazer. De Mecuburi partia todos os dias um carro para Nampula, a fim de tratar dos serviços necess´rios como trazer géneros, correio e outras coisas necessárias ao bom funcionamento do aquartelamento.
 Entretanto o ano de 1974 chegou e com ele a esperança, pois começava a fase descendente da nossa comissão o que queria dizer que o regresso ao puto(termo aplicado na altura a Portugal continental) estava mais perto.
 A companhia sofreu algumas alterações a nível de comandos tais como a 6 de Janeiro de 74 chega à companhia o alferes mil. Manuel F. Farrajota que vem reforçar o quadro dos oficiais. Entretanto a 8 de Junho o cap. mil. José Martins de Carvalho é substituído pelo cap. mil. António de Matos Rios por ter acabado o tempo e ´r regressar à metrópole.
 Com as idas e vindas diárias de Mecuburi a Nampula houve também lugar, infelizmente, para acidentes de viação nos quais perderam a vida mais alguns camaradas, para além disso foram também chamados, para fazer parte de colunas que se iríam realizar a Mueda, alguns elementos da companhia. Das que se realizaram houve uma que sofreu um ataque e que passou por momentos difíceis.
 O tempo passava mais ou menos rápido e o mês de Abril chegou, com ele a revolução, porisso ficámos todos cheios de esperança, pois com as mudanças políticas sofridas pensámos que a nossa situação fosse resolvida.
 Pura ilusão, os meses foram passamdo para além de Junho e não víamos jeito da data de regresso ser anunciada.
 As conversaçºões de paz com a Frelimo tardavam a dar resultados embora no terreno já houvesse tréguas e contactos directos sem hostilidades. Ficámos a saber entretanto a data da nossa partida para Nampula.
 Finalmente a 7 de Setembro foi assinado em Lusaka o acordo de paz com a Frelimo.
 Em consequência disso os colonos e a classe mais alta de Moçambique revoltaram-se e tentaram um golpe para instaurarem um governo tipo Rodésia de maioria branca. Pra isso ocuparam as rádios, alguns serviços e provocaram imensos massacres.
 Não o conseguiram pois as autoridades pararam a rebelião a tempo.
 Em consequência disso a nossa viagem de regresso foi bastante atribulada, com constantes alterações quer em Nampula como também na Beira. Havia algum mal estar entre os brancos e a tropa, com alguns insultos e até mesmo algumas agressões por aqueles que eram mais radicais.
 Os aviões iam partindo com pides presos que o governo resolveu retirar do território por causa do golpe.

Actualizado em 15 de Janeiro de 2018 ✉ ccav3559@hotmail.com