Foi aqui, nesta cidade que tudo começou. Decorria o mês de Março de 1972 quando, no Regimento de Cavalaria 3, nasceu o Batalhão de Cavalaria 3888 do qual a Companhia de Cavalaria 3559 fazia parte. É dela que vamos falar.
Venham connosco...

A VIAGEM

De Lisboa até Antadora


Embarcámos no dia 8 de Julho por volta das 23 horas no aeroporto militar com destino a Moçambique. No dia 9, pelas 8 horas aterrámos em Luanda para deixar um oficial superior que tinha viajado connosco. Chegámos ao aerporto da Baira por volta das 15.30H. Na Beira permanecemos três dias, que deu para conhecer um pouco a cidade. Da Beira voámos para norte com destino à província de Cabo Delgado, até à cidade de Porto Amélia hoje Pemba, capital do distrito com o mesmo nome. Entretanto os dois operadores cripto ficaram em Nampula para terem um pequeno curso sobre o sistema com o qual iriam trabalhar. Em Porto Amélia permanecemos o tempo necessário para receber o material de guerra.
 De Porto Amélia-Pemba e a bordo da corveta João Coutinho, navegámos sempre junto à costa no belo Oceano Índico, até Mocimboa da Praia pequena cidade costeira. Nela pernoitámos em tendas e debaixo da maior chuvada de que a memória recorda, mas mal sabíamos nós que a chuva lá normalmente era sempre assim.
 No dia 16 de Julho em coluna auto partimos para o nosso destino final, ANTADORA, onde iríamos permanecer durante os 15 longos meses seguintes, aí chegámos pelas 13.00H.
 A viagrm decorreu com normalidade, apesar de percorrermos uma das zonas mais perigosas da região, com destaque para um local chamado Largo Oasse, lugar de inúmeroas emboscadas e minas e onde tombaram muitos camaradas.
 Quando chegámos a Antadora tivemos uma recepção bastante calorosa pela parte da companhia que lá se encontrava, pois era a certeza que o tormento ia acabar. Foram-nos receber com uma land rover toda enfeitada e gritando como loucos, declamando versos de guerra e incitando-nos "ó checas entreguen-se à Frelimo, os turras esperam por vocês". Enfim era a maneira de nos darem as boas vindas.